A recuperação – Fase 1

Ficou decidido que eu voltaria para São Paulo e teria a minha recuperação assistida por lá. Eu morava sozinha e, como precisaria de ajuda para quase tudo, não seria prudente permanecer no Rio. Porém, era necessário ficar na cidade mais alguns dias, tanto para decidir o que fazer com minhas coisas, como para me recuperar um pouco mais da cirurgia, já que meu pé estava bem inchado e dolorido.

 

 

Meu pai foi embora no dia seguinte da minha alta e contei com a ajuda do casal Pimenta, que me acolheu na casa deles por quase uma semana. A Bia e o Vitor me ajudaram muito, desde a troca dos curativos, até secando meu cabelo. O carinho e a atenção que eles tiveram comigo não tem preço! s2

 

 

E foi nesse período que comecei a escrever o blog, já prevendo que teria muito tempo disponível para me dedicar à escrita. Além disso, seria uma ótima distração reviver os momentos que considero os mais felizes da minha vida.

 

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Lembro-me que no dia da minha partida para São Paulo, a Bia foi comigo até o aeroporto, tomamos café da manhã por lá e depois fiquei sob os cuidados da companhia aérea do meu vôo, que me disponibilizou uma cadeira de rodas. Ao acessar a sala de embarque tive que retirar o robofoot e passar pelo raio X e neste dia constatei que não, eu nunca seria barrada num detector de metais, como algumas pessoas sempre me perguntaram, mesmo com tantas placas e parafusos. 😀

Fui muito bem atendida e uma equipe enorme se prontificou a realizar a minha entrada no avião. Arrependo-me de não ter gravado a cena, já que até um caminhão-elevador foi deslocado especialmente para o meu acesso à aeronave!  🙂
Dentro do avião, fui acomodada sozinha em uma fileira de três acentos, já que o médico solicitou ficar sempre com o pé pra cima. Ao chegar em Campinas, uma equipe em terra já me aguardava. No carro dos meus pais, contei a verdade para a minha mãe, que até então, era a única que ainda não sabia ao certo como eu havia me acidentado.
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Eu, já acomodada no avião
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As primeiras duas semanas de pós-operatório foram bem críticas, pois eu não podia fazer absolutamente nada e ainda tinha que me acostumar com a minha nova condição de dependência. Percebi que precisava realmente de ajuda quando, logo nos primeiros dias, caí no box do banheiro, após o banho, mesmo tendo a ajuda da minha mãe. Por causa disso, foram instaladas barras de apoio no banheiro, tudo para facilitar a minha acessibilidade.
Como meu quarto fica no andar superior, a sala de TV no térreo tornou-se meu novo quarto e toda a casa ficou equipada de forma que eu conseguisse me virar sozinha.
Apesar de ter recebido muitas visitas e muita ajuda, o meu problema maior era ficar parada. O período máximo que eu havia ficado sem escalar era de apenas duas semanas e o sedentarismo já estava me deixando deprimida.
Fui liberada para começar a fisioterapia uma semana após a retirada dos pontos, o que me deixou mais animada, pois seria uma distração e também o início da minha recuperação. Isso me deixou mais motivada e confiante.
De meados de julho até o final de setembro, a minha rotina diária era acordar cedo, assistir Netflix, ler livros pela metade, colorir outros livros, alimentar as postagens no meu blog e comer. No final do dia, a Eliana, a ajudante de casa, passava em casa e me levava para a fisioterapia, que eu fazia diariamente, de segunda a sexta.
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Agosto sempre é um mês que demora a passar e, em 2016 não podia ter sido diferente.
Meu aniversário foi no dia 6 e com ele ganhei uma festa surpresa, que foi desvendada por mim mesma, dias antes de acontecer. Muitos entes queridos alegraram o meu dia, que havia começado triste e desanimado; O humor frente à imobilidade e dependência pode sofrer oscilações terríveis.
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Comemoração do meu aniversário
Ainda nesse mês sofri também com a incerteza e a possibilidade de uma terceira cirurgia, que me deixou em pânico. A aflição e o nervoso só passaram quando, dias depois, fui ao Dr. Carlos Daniel, em São Paulo, que me confortou e descartou a chance de uma nova intervenção, pelo menos naquele momento. (veja no post https://comerdormirescalar.wordpress.com/2016/08/23/prognostico-sombrio/).
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Voltando do ortopedista com minha irmã, após a ótima notícia de não precisar operar novamente! 🙂
Mês a mês fui ganhando mais movimento, porém longe ainda de colocar o pé no chão. Seria um total de 12 semanas sem colocar carga (peso) e, apesar de julho e agosto terem passado, eu ainda tinha um setembro inteiro pela frente.
E eu ainda achei que depois disso tudo seria mais fácil….
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4 comentários em “A recuperação – Fase 1

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